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PSICOLOGIA ITAJAÍ

Vamos pensar sobre o Transtorno de Conduta: Suzane e Columbine massacre em escolas

postado em: 30 de março de 2020

postado por: Psicóloga Juliana Vieira

A notícia “Suzano e Columbine: o que os dois massacres em escolas têm em comum”, publicada no site de notícias Gazeta do Povo no dia 13 de março de 2019 diz respeito à tragédia ocorrida na Escola Estadual Raul Brasil – localizada no município de Suzano (SP) – na manhã do dia da publicação da matéria. O trágico evento deixou pelo menos dez mortos.

A instituição na qual se deu a tragédia era de destaque na comunidade, tendo um alto índice de qualidade do ensino no Brasil, estando acima da média nacional. A notícia aponta que o ocorrido se deu perto do horário do intervalo das aulas, e que os atiradores eram residentes locais e ex-estudantes da escola, familiares com a configuração da escola. Portavam consigo armas calibre .38, uma besta, machados, explosivos e coquetéis molotov.

A notícia apresenta uma comparação com um caso similar e famoso, ocorrido nos Estados Unidos em 1999, na Columbine High School. Acomparação aponta a similaridade entre a organização dos planejadores doataque, às armas utilizadas, os explosivos que portavam e o decorrer e desfecho dos ocorridos, sendo que em ambos os participantes cometem suicídio.Especula-se também que as vestes utilizadas possam ter sido inspiradas naprimeira temporada da série americana American Horror Story (História de Horror Americana), a qual faz referência ao massacre de Columbine.

Quanto à motivação do crime, a notícia aponta uma ligação direta com a vingança motivada pelo sofrimento causado pelo bullying. A argumentação embasa-se em estudos acerca da temática, os quais revelam um aumento progressivo no númerode mortes de vítimas de tiros em massa nas escolas nos Estados Unidos nosúltimos 20 anos, ressaltando também que os adolescentes, em muitas ocasiões,não possuem recursos afetivos e intelectuais nas escolas e na família para lidarcom as adversidades cotidianas, o que pode fazê-los recorrer à violência parasolução das mesmas.

A notícia traz ainda o comentário do advogado e especialista em bullying Alexandre Saldanha,membro da Comissão da Criança e do Adolescente da OAB-PR, o qual afirma que “O bullying prolongado pode causar, como seviu em casos como de Realengo, o surto psicótico. Existe um processo traumático, a pessoa não tem tratamento adequado para isso e acaba desenvolvendo, dentro desse trauma, comportamentos agressivos, desejosviolentos de vingança, não consegue trabalhar essas coisas. Se sente injustiçada, rejeitada”, o advogado segue argumentando sobre as implicações queo trauma causa no indivíduo e se não for trabalhado podem ocasionar situações como as que presenciamos em Suzano. A preocupação que se instala é de que situações como a de Suzano possam servir de inspiração para outros jovens,assim como Columbine serviu de ponto inicial para o aumento dos tiroteios emescola por imitação do caso real, chamado de “Efeito Columbine”.

Por fim, a notícia traz dados sobre casos de tiroteio nas escolas brasileiras, que ocorreram em diferentes regiões do país, em sua maioria adolescentes alunos ou ex-alunos, citando o Colégio Particular Sigma,em 2002 em Salvador (BA) deixando 2 mortos, a Escola municipal Tasso daSilveira em 2011 em Realengo (RJ) que deixou 12 mortos e 12 feridos, entreoutros casos.

O comportamento violento dos jovens envolvidos nos ataques registrados pode ser discutido, em uma perspectiva psicológica diagnóstica, em referência aos transtornos disruptivos, do controle de impulsos e da conduta, a partir dos quais os indivíduos acometidos – seja por causas ambientais ou disfunções neuronais – são, em alguns casos, incapazes de mediar seus impulsose suas atitudes perante adversidades. Só queremos deixar claro, que não estamos diagnosticando ninguém nesse artigo, e sim, fazendo uma reflexão entre situaçõese possíveis transtornos mentais.

Os transtornos englobados pela categoria mencionada são descritos pelo Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5),sendo eles: Transtorno de Oposição Desafiante; Transtorno ExplosivoIntermitente; Transtorno da Conduta; Transtorno de Personalidade Antissocial;Piromania; Cleptomania; Outro Transtorno Disruptivo, do Controle de Impulsos ouda Conduta e Transtorno Disruptivo, do Controle de Impulsos e da Conduta Não Especificado (AMERICANPSYCHIATRIC ASSOCIATION, 2014). Importante relevar que cada um dos transtornos listados possui seus devidos critérios diagnósticos, sendo um diferente do outro.

Os Transtorno Disruptivos, do Controle de Impulsos e daConduta são preocupantes na medida em que o indivíduo afetado expressa comportamentos que podem infligir a integridade física e psíquica de outros –tanto humanos quanto animais – e que violam normas e regras sociais, não apresentando nenhum tipo de constrangimento ou sofrimento por suas ações (AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION, 2014). Embora alguns comportamentos como mentir, matar aula ou agir agressivamente possam ser caracterizados, até certo ponto, como parte docurso do desenvolvimento humano, tais comportamentos tornam-se patológicos quando passam a ocorrer em determinada frequência, persistência epervasividade, podendo progredir a comportamentos mais graves – como aorganizações dos próprios massacres mencionados – caso não haja intervenção.

Dentro das possibilidades de intervenção, deve serconsiderada a realização de um atendimento e acompanhamento psicológico e/ou psiquiátrico com a criança (ou jovem) e sua família, dada a suspeita e queixade desvios na conduta percebidos no ambiente escolar, familiar e/ou social.Através da anamnese é possível identificar tais comportamentos e em que ocasiões e com que frequência eles acontecem, e a partir disso, determinar as práticas mais adequadas a serem desenvolvidas a fim de alcançar um melhor funcionamento da vida futura do sujeito acometido pelo transtorno (BARLETTA,2011), bem como orientação aos pais.

REFERÊNCIAS

AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. TranstornosDisruptivos, do Controle de Impulsos e da Conduta. In: ___. DSM-5 – Manual Diagnóstico e Estatístico deTranstornos Mentais. 5. ed. Porto Alegre: Artmed, 2014. p. 461-480.

BARLETTA, JanaínaBianca. Avaliação e intervenção psicoterapêutica nos transtornos disruptivos:algumas reflexões. Revista Brasileira de Terapias Cognitivas, Riode Janeiro, v. 7, n. 2, p. 25-31, dez. 2011. Disponível em:<http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1808-56872011000200005&lng=pt&nrm=iso>.Acesso em: 30 out. 2019.

DRECHSEL,Denise; BARONE, Isabelle. Suzano eColumbine: o que os dois massacres em escolas têm em comum. Gazeta do Povo, Curitiba, 13 mar. 2019. Disponível em:<https://www.gazetadopovo.com.br/educacao/suzano-e-columbine-o-que-os-dois-massacres-em-escolas-tem-em-comum-54mljuilxfksmtrodz3oxtm19/>.Acesso em: 22 ago. 2019.

Professora:Juliana Vieira Almeida Silva

Acadêmicos: Chayene Tassior Marques Gabriel, Giulia Bastos de Luca, Nara Roberta Marcondes e Ramon Ferreira Andrade


Psicóloga Juliana Vieira

Psicóloga Juliana Vieira Juliana Vieira Almeida Silva é psicóloga formada pela Universidade do Vale do Itajaí desde 2001 e possui formação em Terapia Cognitiva-Comportamental. Doutora em Psicologia (UFSC) atua nas seguintes áreas: Psicoterapia Individual e Psicoterapia de Grupo, Psicoterapia Familiar e de Casal, Orientação Profissional, Aconselhamento, Diagnóstico para crianças, adolescentes e adultos. Tem vários artigos publicados na área da Psicologia e Administração. Além de Psicóloga Clínica, realiza atividades na área da Psicologia Organizacional: consultoria (Recrutamento e Seleção; Treinamento e Desenvolvimento, Plano de Cargos e Salários, entre outros) e palestras. Atualmente é docente em Cursos de Psicologia e Administração, bem como em pós-graduações.


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